Artigo

O DNA da Cura está no Curador

por Graziela Merlina*

Uma das práticas recomendadas para nos mantermos criativos, e evitar os vieses inerentes a cada um de nós quando observamos, analisamos e decidimos, é ampliar e diversificar nossas experiências para além do mundo que vive em nós mesmos.

E isso não significa fazer o que já se faz de forma diferente, ou fazer novos contatos, etc. Significa viver, de fato, uma realidade com a qual seu corpo, sua mente e sua alma não estão habituados. Não é sobre abrir novas janelas da mesma plataforma, mas sim, mudar de plataforma.

Aprendi recentemente que pessoas da sua rede de relacionamento que têm o papel de te tirar da zona de conforto e te levar para esses novos mundos chamam-se extensores.

Há duas semanas, o meu grande extensor, foi o meu marido, o Dr. Alexandre Moulin. Ele me convidou para participar com ele do CIMI – Congresso Internacional de Medicina Integrativa.

Sua jornada como médico, o tem levado ao chamado de atuar com o bem-estar e qualidade de vida perante o envelhecimento e a dor. E a Medicina Integrativa tem sido o caminho para muitos questionamentos que a longevidade, o estresse, os medos, a substituição do homem pela máquina têm nos trazido como humanidade.

Aceitei ao convite. Foram dias incríveis. Expansão total de consciência. Vi muitas conexões com o meu trabalho voltado a cura dentro das organizações. Tive a oportunidade de acessar e aprender novos conhecimentos que visam integrar a vida humana com ela mesma.

Não sou capaz de enumerar todas as reflexões alcançadas. Então, resolvi compartilhar aqui alguns dos achados. Imagino que você se perguntará várias vezes se era realmente um congresso de Medicina, pois tudo está entrelaçado à teia social em que vivemos.


1. O acúmulo impede a circulação

Quando acumulamos coisas em nosso organismo tais como gordura, inflamações, machucados; impedimos a saudável circulação do sangue, dos hormônios, das vitaminas.

E essa realidade é encontrada na maioria das intoxicações no trabalho e na vida. Acumulamos emoções, carga de trabalho, compromissos, dinheiro, bens, pendências. E assim, tiramos do sistema a possibilidade de fazer circular a riqueza da vida, seja em forma de talento, disponibilidade, energia, recursos, tempo.

Nossos sistemas se tornarão abundantes, quando a humanidade praticar mais circulação e renovação e, menos pensamento de escassez e acúmulo. Quantas coisas estão em nossas mãos porque “uma hora pode faltar”, e enquanto isso “já está faltando para alguém”.

Como isso acontece na sua vida? Nas suas relações? No seu trabalho? Algum acúmulo já o fez adoecer? Liberar uma emoção, um conhecimento, um recurso, um vínculo já lhe trouxe alguma cura?

2. Autocura é fundamental para tratar outros.

Os profissionais da saúde podem ser parte do tratamento do seu paciente. O que exige um cuidar de si mesmo. Reconhecer-se como agente ativo no processo do paciente. Colocar o paciente no centro do tratamento, com toda a sua humanidade e individualidade. Permitir que a relação seja um processo de cura também.

Que papel líderes, professores, terapeutas, pais, empreendedores, influenciadores têm exercido na sociedade? Quem está no centro? Há consciência de que, de alguma forma, fazemos parte da cura do outro? E, portanto, quando não olhamos para nós mesmos com autocuidado e autoamor, também estamos impedindo que o outro seja saudável?

Qual escolha fazemos: ser parte da cura (e isso inclui a nós mesmos primeiramente) ou ser parte da dor, do estresse, da doença? Não existe não impactar. O quanto praticamos aquilo que recomendamos aos outros?

3. Vivemos em busca de sentido

Como você se sentiria se ouvisse do seu médico ou profissional de saúde a seguinte pergunta: “Qual é o seu real desejo de viver?”. Aprendi que essa pergunta pode fazer uma enorme diferença no tratamento. Muitas vezes, o paciente precisa resgatar o sentido da vida e dar ao seu corpo, sua mente e sua alma essa mensagem. Pelo que vale a pena estar vivo?

Essa busca e, ao mesmo tempo, resgate de sentido da vida pode estar nas mãos de cada um de nós. Pelo que fazemos o que fazemos? Pra que esperar a dor, o sofrimento, o medo, o estresse para nos questionarmos sobre isso? Se essa pergunta estiver viva e alerta em nós, teremos mais consciência sobre nossas escolhas mesmo que elas nos causem alguma privação?

4. A Inflamação é o que mantém acesa a chama do câncer

O estilo de vida ocidental nos leva a processos crônicos de estresse e, portanto, de inflamação. E esse estado passou a ser o “novo normal” social. A inflamação é o que provê o combustível que alimenta as chamas do câncer. O que explica o aumento do número de casos de câncer no mundo. Quase como se fosse um “chamado” para nos despertar desse “estado normal” e olhar com amor e cuidado para nosso estilo de vida.

O que se faz perante o estresse? Paramos e criamos consciência ou esperamos que ele se torne crônico e inflamado para agir? Aprendemos que nós mesmos geramos o combustível das nossas organizações? E que, portanto, somos responsáveis pela chama que ele acende? E se aprendermos a gerar o combustível do bem-estar biológico, emocional e espiritual?

5. Poucos e bons

A essa altura, uma excelente pergunta poderia ser: E COMO SERMOS AGENTES DA SAÚDE E NÃO DA DOENÇA? COMO SERMOS CURADORES?

Poucos e bons caminhos:

  • Conectar-se com quem lhe dá suporte social.
  • Gerenciar seu nível de estresse e desenvolver resiliência.
  • Dedicar tempo ao descanso e a recuperar-se.
  • Movimentar-se.
  • Tratar alimentos como remédios.
  • Evitar ambientes tóxicos.
  • Ser vigilante para evitar o “descaminho”.

6. Amor

Não há esperança para a sobrevivência humana se não nos transformarmos em um mundo de amor. Não há esperança para ninguém se não construirmos um mundo cujos valores sejam compaixão e generosidade”. Dr. Patch Adams

Agradeço as minhas inspirações:

Dr. Alexandre Moulin

Dra. Jynani Pichara

Dra. Clarissa Oliveira

Dr. Edson Luiz Perachi

Dra. Nise Yamaguchi

Dra. Laura Nasi

*Graziela Merlina - Idealizadora na @casamerlina / Conselheira no @capitalismoconscientebrasil / Fundadora da @ApoenaRH